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Índice:
CAFIB - 25 ANOS
Em 25 anos de atividades
de seleção e preservação do Fila
puro, completados em 19 de março de 2003, o CAFIB –
Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro se consolidou entre
criadores e aficionados do Brasil e do mundo como a única
entidade da raça com expressão nacional e internacional
imbuída de uma proposta de trabalho técnico
de combate à mestiçagem e de melhoramento genético
do plantel.
Com sede nacional atualmente
no município de Amparo, região de Campinas (SP),
e representantes e seções em vários estados
e municípios brasileiros, e também no exterior,
o CAFIB já analisou individualmente mais de oito mil
cães em centenas de Análises de Fenótipo
e Temperamento e em viagens pelo interior do Brasil e em outros
países, como Alemanha, Estados Unidos, Espanha e República
Checa.
Ao longo desses anos,
mas principalmente nos primeiros dez anos de existência,
o CAFIB percorreu fazendas e visitou criadores, repetindo
viagens pioneiras que o dr. Paulo Santos Cruz, considerado
“o pai da raça”, realizou pelo interior
de Minas Gerais nas décadas de 1940 e 1950 em busca
de Filas puros – verdadeiras excursões aventureiras
feitas de automóvel em estradas de terra ou realizadas
com o fretamento de frágeis aviões teco-teco
que desciam em campos de pouso muitas vezes improvisados.
Assim, a partir de 1978
juízes do CAFIB seguiram a trilha do Fila puro em cidades
como Elói Mendes, Fama, Lavras, Três Corações,
Itanhandu, São João Del Rei, Nepomuceno, São
Lourenço, Caxambu, Frei Inocêncio, Santa Maria
do Suaçuí e Pedra Azul, em Minas Gerais, além
de cidades na região de Três Rios (Rio de Janeiro),
ao longo da rodovia Rio-Bahia e fazendas no interior de São
Paulo – principalmente na região de Campinas,
Bragança Paulista, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba
e Vale do Ribeira. Muitas vezes também em estradas
de terra, à beira de ribanceiras, não muito
diferentes das antigas estradas vicinais que o dr. Paulo percorrera
décadas antes, embora desta vez com veículos
com mais recursos para enfrentar as péssimas condições
dessas verdadeiras trilhas estreitas em regiões montanhosas
e de campos.
Simultaneamente a esse
trabalho, o CAFIB expediu, ao longo dessas duas décadas
e meia, cerca de dois mil Registros de Origem (pedigrees)
para filhotes de pais aprovados em Análises de Fenótipo
e Temperamento. Isso depois de as ninhadas terem sido submetidas
a rigorosa verificação, entre 45 e 60 dias após
o nascimento, por juízes ou por pessoal especializado,
devidamente autorizados.
Mestiçagem, o Problema
Resultado do caldeamento natural de várias
raças (entre as quais se destacam, com predominância,
o Mastiff ou Mastim Inglês, o Bloodhound e o Bulldog)
durante todo o período colonial, o Fila Brasileiro
se fixou como raça há mais de cem anos, ao longo
do século 19, nas regiões de criação
de gado. E isso por suas características especiais.
Era cão boiadeiro e também onceiro (protegia
o gado contra o ataque de onças e também era
usado na caça a esses animais), além de ser
eficaz guardião das fazendas por ter naturalmente ojeriza
a estranhos.
Essas características que se incorporaram
à raça por meio de um código genético
único, que o diferenciava das demais raças,
acabaram se tornando também, paradoxalmente, na opinião
do CAFIB, fatores ameaçadores da integridade do Fila
puro, a partir do momento em que a raça foi incorporada
à chamada “cinofilia oficial” e passou
a ser objeto mercantil nas mãos de comerciantes de
cães sem conhecimentos técnicos e, muitas vezes,
sem escrúpulos.
Isso porque, por ignorância, má-fé
ou confusão mental e técnica, muitos criadores
e supostos “especialistas” insistem que o Fila
é um cão inevitavelmente mestiço porque
teve, em sua formação, a contribuição
de outras raças. Seria o mesmo que criadores de Dobermann
afirmarem que criam mestiços, só porque Luís
Dobermann (a quem se atribui o trabalho mais importante de
criação dessa raça) teria usado cães
de várias raças, entre os quais a Pinscher,
na sua formação. Ou então os criadores
de Dogo Argentino fazerem esse mesmo tipo de afirmação,
uma vez que esse cão foi formado a partir das seguintes
raças: Bull Terrier, Bulldog, Dinamarquês, Boxer,
Mastim dos Pirineus, Cão de Luta Cordobês, Galgo
Irlandês, Pointer, Dogue de Bordeaux e Mastim Inglês.
Por essas razões que estão
ligadas à origem do Fila, a mestiçagem se tornou,
a partir da década de 70 um problema para a raça,
embora ela não possa ser considerada mestiça,
como defendem alguns “especialistas” – afinal,
raça e mestiçagem envolvem dois conceitos contraditórios
entre si.
As dificuldades começaram quando o
Fila passou a ter algum valor comercial fora das fazendas,
onde ele valia pelo trabalho que realizava. Sem qualquer padrão
visual para a raça (ao contrário do que ocorria
com as demais raças, em que o padrão visual
era dado pela criação dos países de origem),
começaram a ingressar no plantel “oficial”
de Filas (ou seja, no registro das entidades oficiais da cinofilia
brasileira existentes na época) quaisquer cães
que tivessem, ainda que de longe, alguma semelhança
com o autêntico Fila Brasileiro. E isso se tornou mais
grave à medida que não havia um trabalho de
seleção rígido e tecnicamente orientado.
Além dessa falsa concepção
de que o Fila é um cão mestiço, contribuiu
para a descaracterização do padrão da
raça o fato de que, na sua origem, era um cão
boiadeiro e onceiro. Isso gerou confusão, porque, embora
o Fila fosse boiadeiro e onceiro, nem todo cão boiadeiro
e onceiro era Fila, ainda que tivesse algumas características
fenotípicas (o aspecto visual exterior do cão)
semelhantes ou parecidas. Assim, muito fazendeiro “esperto”
vendeu gato por lebre, ou seja, vendeu muito mestiço
por Fila autêntico.
Isso porque o que genericamente se conhecia
como Fila no interior do Brasil eram cães com algumas
características marcantes de um Fila autêntico,
mas não suficientes para caracterizá-los como
pertencentes a essa raça. Até porque cão
de fila, como ainda é muito chamado no interior do
Brasil, é todo aquele que agarra e segura (ou seja,
fila, do verbo filar) a presa com os dentes. Um nome que passou
a ser associado também a cães de médio
e grande porte e cabeçudos e àqueles que tinham
aptidão para o trabalho com o gado – os chamados
“cabeçudos boiadeiros”. Ou até para
aqueles que, como se dizia na região de Varginha, no
sul de Minas Gerais, eram denominados cabeçudos amarelos
de boca preta. Para os que incluíam todos esses cães
na categoria de Filas, o resto do fenótipo não
interessava muito... desde que tivessem quatro patas e latissem.
A Variedade de Tipos
Desse modo, muitos cães com algumas
características do Fila, mas não todas, passaram
a integrar o plantel quando o Brasil Kennel Club reconheceu
o Fila como raça. Isso deu origem a uma grande variedade
de tipos e cores (inclusive a preta, resultado da miscigenação
inicial, principalmente com o Dinamarquês ou Dogue Alemão,
como também é chamado) e a cães sem o
temperamento e a ojeriza a estranhos típicos do Fila.
Tudo isso ocorreu, segundo o CAFIB, porque
a concessão do Registro Inicial (RI) não foi
acompanhada de rigoroso trabalho de seleção,
e todos os cães introduzidos “oficialmente”
na raça passaram a se reproduzir sem controle, gerando
linhagens de Filas de papel (com pedigree), alguns de porte
médio para pequeno; outros enormes; alguns de cabeça
pequena que nada lembram os verdadeiros cabeçudos boiadeiros;
outros medrosos ou afáveis, que nem de longe têm
relação com os bravos e nada amigáveis
Filas autênticos, que revelavam toda a sua ojeriza a
qualquer estranho que se aproximasse.
Em vez de se afastar da criação
os tipos indesejados, o que foi feito por alguns criadores?
Com o beneplácito da Federação Cinológica
do Brasil (uma dissidência do extinto BKC – Brasil
Kennel Club, na época), a título de melhorar
o padrão da raça – que na prática
não existia, tal a disparidade de tipos – se
abriu um livro de registros especial para lançar os
cruzamentos experimentais de Filas com cães de outras
raças, para aperfeiçoar o Fila mediante o “choque
de sangue”.
Ao mesmo tempo, tanto a Federação
Cinológica do Brasil (FCB) como o Brasil Kennel Club
(BKC) mantiveram fechado o Registro Inicial, impossibilitando
que Filas autênticos, sem pedigree, existentes no interior
e nas fazendas, pudessem dar o único choque de sangue
tecnicamente possível na raça.
O que se seguiu foi uma sucessão de
casos de mestiçagem dos mais variados tipos, nos fundos
de quintais, sem qualquer controle por parte das entidades
“oficiais” da cinofilia brasileira, uma vez que
os pedigrees dessas ninhadas de mestiços tinham no
papel, como padreadores e matrizes, sempre Filas registrados,
embora na verdade seus pais fossem Mastins Ingleses, Dogues
Alemães e, posteriormente, já nas décadas
de 1970 e 1980, Mastins Napolitanos. E isso, sem que o livro
de registros paralelos jamais tivesse sido utilizado.
Logo os comerciantes de cães descobriram
uma forma de faturar mais e lançaram no mercado um
“produto novo”, uma “raridade”, o
“Fila” preto, resultado de cruzamentos com Dogue
Alemão e Mastim Napolitano, já que o padrão
vigente naquela época dizia que “com exceção
dos totalmente brancos, todas as demais cores e suas combinações
são permitidas”. Reintroduzia-se, assim, a cor
preta na raça, mais uma vez por meio da miscigenação.
Os primeiros “Filas”pretos também eram
resultado da misciginação e faziam parte daquela
parcela de cães com algumas (mas não todas)
características do Fila autêntico e que foram
trazidos das fazendas para as cidades e receberam o Registro
Inicial, passando a integrara a raça sem qualquer controle
posterior.
A Origem do CAFIB
O CAFIB – Clube de Aprimoramento do
Fila Brasileiro, originalmente denominado Comissão
de Aprimoramento do Fila Brasileiro, nasceu justamente com
o objetivo de encontrar uma solução para a raça,
cujo padrão estava se deteriorando progressivamente
coomo resultado dos mais diferentes tipos de mestiçagens.
Essa comissão surgiu como resultado
de uma mesa-redonda convocada pelo jornalista Antonio Carvalho
Mendes, redator da coluna de Cinofilia do jornal O Estado
de S. Paulo, que constatara, em visita a vários canis
paulistas, em companhia do dr. Paulo Santos Cruz e do também
jornalista Luiz Antonio Maciel, as conseqüências
da miscigenação sobre a raça. Participaram
desse debate na sede do jornal paulista, criadores, o ex-presidente
da extinta Federação Cinológica Brasileira
e o então presidente da Confederação
Brasil Kennel Club – CBKC (sucessora do antigo BKC),
coronel Ayrton Schaeffer, que apoiou a criação
da referida comissão, com participação
das mais diversas tendências dentro da raça.
Entretanto, posteriormente, saíram
dessa Comissão vários de seus integrantes que
não concordaram com as diretrizes técnicas propostas
no sentido de submeter todo o plantel a análises de
fenótipo e temperamento para separar os Filas fenotipicamente
puros dos mestiços. Isso conduziu, em 19 de março
de 1978, a Comissão para uma linha de independência
em relação à chamada cinofilia oficial,
cristalizada na CBKC.
A Comissão deu início então
ao seu trabalho técnico, de ordem prática, realizando
Análises de Fenótipo e Temperamento inicialmente
na cidade de São Paulo e, posteriormente, no interior
do Estado de São Paulo e em outros estados do país.
Assim, passaram a ser examinados por ex-juízes da CBKC
(entre os quais Airton Campbell, Américo Cardoso dos
Santos Júnior e Roberto Nobuhiko Maruyama, formados
num curso sobre o Fila ministrado pelo dr. Paulo Santos Cruz
e aprovados pela CBKC, antes do rompimento da Comissão
com a cinofilia oficial) e posteriormente por outros árbitros
formados pela própria Comissão (e, mais tarde,
pelo Clube em que a Comissão se transformou) tanto
cães com pedigree emitidos pelas entidades da cinofilia
“oficial” como cães sem qualquer tipo de
registro.
A fundamentação teórica
desse trabalho se baseou em dois critérios. Primeiro,
o de que os cães com ou sem pedigree estavam em pé
de igualdade, sob o ponto de vista genético, pois não
havia qualquer garantia quanto à sua ascendência,
uma vez que os pedigrees não eram em geral confiáveis,
em decorrência dos casos de mestiçagem ocorridos
e de amplo conhecimento na cinofilia. E, segundo, o de que
pela análise de fenótipo, e também do
temperamento e do sistema nervoso, é possível
distinguir os Filas fenotipicamente puros dos mestiços,
por meio de algumas características, como cor, conformação
da cabeça, “stop”, comprimento e profundidade
do focinho, inserção e tamanho dos olhos e orelhas,
andar típico de camelo, ojeriza a estranhos e outras
características físicas e mentais do cão.
Toda a conceituação teórica
e visual das diferenças entre um Fila puro e os vários
tipos de mestiços foi formulada inicialmente pelo dr.
Paulo Santos Cruz, considerado o “pai da raça”,
num trabalho denominado “Como distinguir um Fila puro
de um mestiço”. Esse artigo foi publicado em
dezembro de 1978 no primeiro número do jornal “O
Fila” (órgão oficial do CAFIB e que teve
42 números editados) e posteriormente incorporado ao
novo padrão do Fila, o do Fila puro, elaborado pelo
CAFIB e que acabou sendo copiado em grande parte pela Confederação
Brasil Kennel Club (CBKC) ao fazer uma revisão do antigo
padrão “oficial” da raça. Posteriormente
a CBKC voltou a refazer mais uma ou duas vezes o padrão
da raça para adequá-lo aos interesses dos criadores
e poder enquadrar o grande número de cães mestiços
dentro de um padrão maleável. Enquanto isso,
nesses 25 anos, o padrão CAFIB continua igual, fiel
ao verdadeiro Fila Brasileiro.
Seleção com Rigor
Esse trabalho de análise de fenótipo
é complementado com um rigoroso controle de criação.
Só podem entrar na reprodução cães
aprovados em Análises de Fenótipo e Temperamento
e com mais de dois anos de idade na data da cobertura –
uma exigência que deve ser rigorosamente aplicada às
fêmeas. Em casos de machos que tenham Registro de Origem
(pedigree) do CAFIB, esse limite pode ser reduzido para 18
meses, desde que haja uma aprovação técnica
do Clube.
O criador deve, também, obrigatoriamente
observar o descanso de um cio para as fêmeas, proibidas
de acasalar em dois cios seguidos. As crias devem permanecer
com a mãe até os 60 dias. No período
entre 45 e 60 dias após o nascimento, elas e a mãe
são submetidas a uma verificação por
juiz do CAFIB ou pessoal especializado autorizado pelo Clube.
Na verificação, o técnico
examina os dados identificadores da cadela-mãe e o
relacionamento dela com a ninhada. Caso haja dúvidas
em relação à identificação
da matriz e à procedência das crias (filhotes
de outras ninhadas introduzidas no grupo), o registro é
recusado. A ninhada também não tem direito a
registro se, entre as crias, houver sinais evidentes de mestiçagem,
ou se os pais tiverem acasalado antes da idade limite permitida,
exceto se houver autorização expressa do CAFIB,
sempre em caráter extraordinário e com objetivos
muito precisos de ordem técnica e do interesse da raça.
O verificador identifica cada cria da ninhada
e mapeia, em formulário apropriado, as cores e marcas
da pelagem de cada filhote.
Após completarem um ano de idade,
os cães com Registro de Origem do CAFIB também
devem se submeter a Análise de Fenótipo e Temperamento.
Como todos os demais cães examinados, eles são
fotografados para os arquivos do Clube.
Qualquer cão com mais de 12 meses
de idade que for reprovado nessa análise terá
seus certificados e registros anteriores (até mesmo
o Registro de Origem ou pedigree) anulados.
Como resultado da aplicação
dessas normas, várias ninhadas não conseguiram
o registro, por problemas de mestiçagem, e houve casos
em que os pais, submetidos a novas coberturas, tiveram seus
registros cassados por terem novamente produzido crias com
sinais de mestiçagem. Essa é a prova, genética,
de que os pais, nesse caso, não são Filas puros,
embora possam ser fenotipicamente típicos.
O CAFIB também recusa sistematicamente
o registro de ninhadas cujos pais acasalaram antes da idade
permitida. E há ainda, ao longo desses anos, casos
de negativa de registro de ninhadas de cadelas cobertas por
mais de um padreador, por impossibilidade de se comprovar
qual seria o legítimo pai da ninhada ou de partes dela.
Esses filhotes não mestiços,
entretanto, poderão dar sua contribuição
para a raça, tornando-se futuros padreadores ou matrizes,
desde que se submetam a Análise de Fenótipo
e Temperamento, como qualquer cão desconhecido, e sejam
aprovados. Para todos os efeitos, sempre serão considerados
cães de registro inicial, com ascendência desconhecida.
Todos os proprietários de cães
aprovados para reprodução devem comunicar o
acasalamento ao Clube, e o proprietário da fêmea
deverá enviar, posteriormente, um atestado de cobertura
preenchido e assinado por ele e pelo proprietário do
macho, responsabilizando-se pela veracidade das informações
fornecidas.
Pela abrangência dessas medidas postas
em prática e pela preocupação, inerente,
de seleção, o CAFIB considera que vem desenvolvendo
um trabalho inédito na cinofilia nacional, que, ao
longo de sua história, tem se mostrado carente de preocupações
técnicas nesse nível.
E isso chegou a ser reconhecido pelo Ministério
da Agricultura, que em 28 de abril de 1980, por meio de despacho
do ministro Hygino Antonio Baptiston, tornou o CAFIB a única
entidade responsável pela raça Fila Brasileiro
em todo o território nacional com direito ao controle
do registro genealógico. E o CAFIB ficou com essa responsabilidade
até que o ministro Amaury Stabile retirou todos os
clubes de cães do âmbito do ministério.
Análises e Palestras no Exterior
O trabalho desenvolvido pelo CAFIB
em defesa da preservação do Fila Brasileiro
puro logo extrapolou as fronteiras do Brasil. Criadores e
proprietários de cães de várias partes
do mundo passaram a acompanhar o que estava sendo feito aqui,
a maioria por meio de correspondência ou pela leitura
do jornal “O Fila”, com grande interesse pelos
artigos técnicos. Ao longo desses 25 anos, muitos deles
vieram ao Brasil conhecer o trabalho e comprar filhotes com
Registro de Origem do CAFIB.
O pioneiro no contato com o CAFIB foi
o juiz alemão all rounder e especializado em Fila Christopher
Habig, que teve um encontro inicial com o criador e futuro
diretor do Clube Francisco Peltier de Queiroz, num período
em que este morou em Londres. Em 1983, Habig veio ao Brasil
conhecer o trabalho que estava sendo feito, se inteirar dos
problemas com a criação e assistir a uma análise
e exposição do CAFIB em São Paulo.
Como resultado dessa visita, no dia
27 de maio de 1984, em comemoração aos 30 anos
da primeira exportação de um Fila Brasileiro
para a Alemanha, o então presidente do CAFIB-Brasil,
dr. Paulo Santos Cruz, analisou, de acordo com o padrão
do Clube, cerca de 60 Filas numa cidade próxima a Frankfurt,
na Alemanha Ocidental, a convite do Club fur Molosser (Clube
dos Molossos), filiado ao Kennel Clube da Alemanha. Ele viajou
em companhia do engenheiro Antonio Silva Lima, também
juiz do CAFIB e na época alto funcionário da
Petrobrás.
No dia anterior, o dr. Paulo havia
feito uma palestra, em alemão, durante mais de oito
horas, sobre anatomia, estrutura do Fila, criação,
genética e problemas decorrentes da mestiçagem,
com projeção de slides e filmes preparados pelo
CAFIB.
No início de 1988, visitou o
Brasil um grupo de oito criadores alemães, entre os
quais o sr. Anton Finkenzeller, presidente do Clube dos Amigos
do Fila Brasileiro, filiado ao VDH, o Kennel Clube da então
República Federal Alemã (Alemanha Ocidental).
Posteriormente, na década de
1990, o CAFIB realizou três análises e duas exposições
nos Estados Unidos, julgadas pelos juízes Luiz Antonio
Maciel, Américo Cardoso dos Santos Júnior e
Luiz Fernando Zanetti Coeli. Em duas delas participou da delegação
do CAFIB o diretor do Clube Francisco Peltier de Queiroz.
Nos EUA chegou a ser criada uma seção do Clube,
que posteriormente se tornou inativa diante do desinteresse
do criador responsável pela representação.
Isso não impediu, entretanto, que outros criadores
e adeptos do Fila naquele país mantivessem contato
com o CAFIB-Brasil. Além de Linda Ramey, que fez várias
viagens ao Brasil a partir da década de 1980 e comprou
cães para criadores norte-americanos, vieram também
conhecer o trabalho do CAFIB a juíza norte-americana
Beth Cepil, e as criadoras Donna Valentine (Canil Cascabel)
e Maxine Smith. Beth Cepil, que acompanhara as análises
e exposições do CAFIB nos Estados Unidos, ajudando
os juízes brasileiros como auxiliar de pista, foi submetida
a exames teóricos e práticos durante sua visita
ao Brasil em agosto de 1995 e se tornou a primeira juíza
estrangeira do CAFIB. Donna Valentine, posteriormente, fez
várias viagens ao Brasil para manter contatos com criadores
do CAFIB e de outros clubes identificados com a pureza da
raça no Brasil.
Ainda na década de 1990, criadores
da Espanha, Inês van Damme (1994), Jaime Perez Marhuenda
(acompanhado da mulher, Elvira) e José Salvador Martinez
Martinez (1996), vieram conhecer a criação brasileira
e assistir a análises e exposições promovidas
pelo CAFIB. Jaime prestou exames teóricos e práticos
e também se tornou juiz do CAFIB. Como resultado dessas
viagens, o CAFIB foi convidado a realizar um julgamento de
cães na cidade de Valencia, na Espanha, a convite do
Club de Los Molosos de Arena, de acordo com os critérios
do CAFIB. Para essa missão foi designado o juiz Luís
Fernando Zanetti Coeli, na época também presidente
do CAFIB.
Neste ano de 2003, atendendo a convite
do criador Jan Kubesa, o juiz Américo Cardoso dos Santos
Júnior viajou para a República Checa.
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